Campeão da Libertadores

September 24, 2008

Sou um gaúcho perdido no Rio. Estou perdido há um ano e meio, mais ou menos. Por isso foi estranho assistir à grande final, quarta-feira (para quem não sabe: Inter X São Paulo, valendo o título da Libertadores). Assisti no Humaitá, no apartamento de amigos gaúchos. Foi uma gritaria, é claro, como se estivéssemos em Porto Alegre… Mas lá fora, na rua, tudo estava quieto, deserto, os cariocas se lixavam pelo título colorado, talvez nem soubessem que tinha jogo. Alguém propôs: “Vamos pra Goethe comemorar!” – mas a Goethe estava longe, longe…
É engraçado o contraste. Estar numa cidade e pensar que se está n’ outra. Gritamos na janela. Ninguém respondeu. Berramos: é campeão! Uns cachorros latiram. Talvez a gente tenha acordado um mendigo…
Estávamos em outro clima. Temperamento diferente do resto da cidade. Quando saí na rua era um mutismo, uma indiferença, e de repente não entendi aquelas imagens de histeria coletiva em Porto Alegre, com as pessoas subindo em carros e cantando pra lua.
No táxi, conversei com o motorista. Ele estava procupado com o jogo do Vasco. O Vasco tinha perdido e ele estava triste. Mas elogiou o meu título, sem muita emoção. Chegando em Copacabana, eu saí e ele disse algo em voz baixa, tipo “parabéns”. Um parabéns meio chocho. Em Copacabana, também, estava silencioso. Eu caminhei pela Nossa Senhora me sentindo sozinho, muito sozinho.

(Sábado, Agosto 19, 2006)

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