That’s what friendship all about
January 19, 2009
Outro dia estava em Ouro Preto, deitado na cama dura de um quarto de hotel (Hotel Mirante, não se hospedem lá), depois de um dia incrível na cidade mineira, que eu conhecia pela primeira vez. Tinha acabado de caminhar sob a noite estrelada, subindo e descendo ladeiras imensas, cercadas por construções agradáveis (desculpa e ignorância, mas ainda não descobri a diferença entre barroco e rococó). Sou um idiota plástico e arquitetônico, mas sei do que gosto – e das construções de Ouro Preto, eu gosto.
Fiquei na cama, olhando para o teto, mas não conseguia relaxar. Não importa o quanto tinha sido bom o meu dia, e o quanto poderia ser boa o resto da minha noite. Eu me sentia culpado. Corroído pelo remorso. Explico o por quê: na semana anterior, havia passado uns dias em SP (ler o post Reminiscências de São Paulo), no momento em que lutava contra uma gripe que não se deixava vencer. E essa mesma gripe acabou passando para minha amiga Bruna, que me acompanhou boa parte desses dias na capital paulista. A gripe chegou avassaladora para ela, transformou-se em febre. E pior é que Bruna é cantora: a garganta inflamada não lhe deixava cantar. Tudo por minha culpa.
Não me aguentei. Peguei o celular e fiz um interurbano para SP. Assim que ela atendeu, percebi a voz fragilizada de doente, e me senti péssimo, muito péssimo.
- Ouch- eu disse. – Ai, ai… OK, eu tô ligando pra me desculpar.
- É tudo sua culpa! – ela brincou (mas seria mesmo brincadeira?) – Você me passou febre! Você tossiu na minha cara!
Para não chorar, nós rimos um pouco, e algumas horas depois eu já estava bebendo minha culpa num bar qualquer de Ouro Preto.
Três meses mais tarde, estou aqui, na minha cama confortável, vendo as descargas elétricas rasgarem o céu, pela minha janela, e escutando a chuva caíndo aos poucos após uma tarde excepcionalmente quente. Tive outro dia incrível. Sol, céu azul, ondas razoáveis na praia da Macumba (sem muito crowd, pelo menos até às 13 horas, antes da garotada invadir o pico), natureza marvilhosa ao meu redor, boa comida, boa música, boa leitura, nenhum trabalho para o jornal… Não tenho muito a reclamar (bem, talvez eu tenha exagerado um pouquinho no sol).
E não é que mais uma vez chega a culpa junto com a noite e a chuva? Bruna está de aniversário. Eu, aqui, no Rio, não sei o que escrever para ela. O que significa essa data, essa nova etapa de vida, e o que iremos enfrentar daqui para frente? Queria ter a palavra certa, a resposta exata, mas melhor ficar quieto. Melhor deixarque o tempo responda para todos nós.
Enfim, o ponto principal desse tetxo sem rumo, vou esclarecer agora: com amigos – os amigos de verdade – é sempre e sempre será assim. Não interessa a sua felicidade, você quer, você precisa, que o outro compartilhe. Que o outro esteja tão feliz quanto você, que tudo dê certo na medida igual. Nos bons, nos maus momento, o seu pensamento está no outro, tanto quanto em você. E é por isso que eu digo, para esse novo ano completado para Bruna, que tudo de bom e de ruim vai ser compartilhado, e que tudo só fará sentido se for assim.
Em tempos onde não se pode mais confiar em quase ninguèm – e eu sei o quanto isso se tornou verdadeiro para mim recentemente – são poucas as pessoas para quem se pode dizer isso sem remorsos.
Hey, meu irmão de alma! Fiquei emocionada com o que tu escreveste, sabia que ganaharia um presente especial de ti. Sem remorsos também te digo que tu nunca frustou minhas expectativas como pessoa. Te adoro!
Grande beijo,
Bru