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		<title>Fumaça</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jan 2009 22:02:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bolivartorres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguém na redação viajou e me trouxe uma caixa de charutos cubanos comprada num freeshop. Nunca tinha fumado antes. Quando cheguei em casa, estressado, tenso, com o peso do mundo nas costas, decidi fazer alguma coisa para relaxar. Primeiro abri as janelas do quarto: era uma noite fresca e, da minha cama, olhei o Cristo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=379&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguém na redação viajou e me trouxe uma caixa de charutos cubanos comprada num freeshop. Nunca tinha fumado antes. Quando cheguei em casa, estressado, tenso, com o peso do mundo nas costas, decidi fazer alguma coisa para relaxar. </p>
<p>Primeiro abri as janelas do quarto: era uma noite fresca e, da minha cama, olhei o Cristo à minha direita, vagamente encoberto pelas nuvens; à minha esquerda, via a praia. </p>
<p>Segundo, enchi meu dorso com spray anti-inflamatório. Apaguei a luz e sentei na cama, de frente para a janela da praia. </p>
<p>Terceiro &#8211; enfim! &#8211; acendi o charuto.</p>
<p>A mistura funciona: anti-inflamatório + tabaco + brisa do mar. Depois de mais um dia pesado de trabalho, me apoiei no parapeito da janela, soltando fumaça. E não é a sensação boba de estar com um charuto na mão &#8211; &#8220;Olha, eu estou segurando fogo&#8221;! &#8211; nem de me sentir classudo com um produto cubano entre os dedos. É a sensação de fumaça entrando e saíndo do meu corpo, eu acho, somado ao efeito relaxante do anti-inflamatório. É o mar quebrando mais além, o som constante das ondas, a areia deserta e mal-iluminada. É a ilusão de que a cidade dorme ao meu redor &#8211; e de que sou eu, o ser desperto, que preencho o silêncio e o vazio. </p>
<p>E quando abro <em>As you like it</em>, na segunda cena do quinto ato, Shakespeare ganha um outro significado. Meu corpo está mole, estou chapado, as palavras não parecem as mesmas.   </p>
<p>&#8220;Se assim é, por que o amor me censurais?&#8221;, diz Orlando e minhas baforadas se desmancham no ar. Um casal caminha na praia, deixa pegadas. Da janela, vejo a linha reta marcando a areia atrás deles.</p>
<p>Shakespeare estava certo em colocar algumas das frases que melhor representam sua visão de mundo na boca de bobos. &#8220;All the world&#8217;s a stage&#8221;, diz o Bobo de <em>As you like it </em>. Tudo é simulacro. Tudo é fingimento. Não há verdade ou mentira no teatro. Como no amor. Os papéis se invertem &#8211; Rosalinda: homem que representa uma mulher que representa um homem. A representação da representação da representação. Se o mundo é palco, o que é o palco?</p>
<p>O mundo é representação. E a linguagem, ah, a linguagem! Palavras precisam ser enfeitiçadas, porque palavras são vãs. Estamos encobertos pela fumaça: não adianta falar sobre o que se vê, porque ninguém vê nada direito.  </p>
<p>&#8220;Não sei o que quer dizer poética&#8221;, diz Audrey. &#8220;É honesta em atos e palavras? É coisa de verdade?&#8221;</p>
<p>Com a resposta, o Bobo: &#8220;Não, de fato; porque a poesia mais verdadeira é a mais fingida; os namorados são dados à poesia, podendo-se dizer que o que eles juram em poesia inventam como apaixonados&#8221;</p>
<p>Então, milagre!, passa um navio. Passam navios todos as noites em frente à minha janela, mas nunca perto o suficiente para que eu os ouça. O grande navio iluminado atravessa o mar escuro, fazendo:</p>
<p>Dúuuuu-dúuuuuuuuu</p>
<p>Dúuuu-dúuuuúuuuuu </p>
<p>E desaparece em seguida. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bolivartorres.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bolivartorres.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bolivartorres.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bolivartorres.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bolivartorres.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bolivartorres.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bolivartorres.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bolivartorres.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bolivartorres.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bolivartorres.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bolivartorres.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bolivartorres.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bolivartorres.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bolivartorres.wordpress.com/379/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=379&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Beginners</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Dec 2008 18:34:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bolivartorres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi difícil, mas consegui entrevistar Tess Gallagher, a viúva de Raymond Carver, que pretende lançar a versão de O que falamos quando falamos de amor, o clássico de Carver, antes que sofresse as alterações de Gordon Lish. Bom, a história toda está bem explicada na matéria abaixo, que fiz para o JB. Só pra dizer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=374&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi difícil, mas consegui entrevistar Tess Gallagher, a viúva de Raymond Carver, que pretende lançar a versão de O que falamos quando falamos de amor, o clássico de Carver, antes que sofresse as alterações de Gordon Lish. Bom, a história toda está bem explicada na matéria abaixo, que fiz para o JB. Só pra dizer que foi realmente emocionante falar &#8211; por e-mail &#8211; com Tess. Ainda guardo as mensagens na caixa do meu yahoo. Pelo jeito, ela escreveu as respostas com extremo cuidado &#8211; mandou juto, inclusive, as notas que os seus advogados &#8211; ou seus editores, sei lá &#8211; fizeram pra cada frase que colocou no meu e-mail. Leiam a matéria e vcs entenderão (publico, nos comentários, as respostas completas de Tess).</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://croatia.org/crown/content_images/2008/tess_gallagher/Tess_Gallagher_Raymond_Carver3.jpg" alt="http://croatia.org/crown/content_images/2008/tess_gallagher/Tess_Gallagher_Raymond_Carver3.jpg" /></p>
<p style="text-align:left;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong>Raymond Carver, o mutilado</strong></p>
<p style="text-align:center;"><em>Viúva do escritor, Tess Gallagher quer publicar originais de livro alterado pelo antigo editor</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Por Bolívar Torres</em></p>
<p>Em 1981, o escritor americano Raymond Carver conquistou a crítica com sua segunda antologia de contos, What we talk when we talk about love (literalmente, O que falamos quando falamos de amor), um retrato amargo e desencantado da classe média baixa dos Estados Unidos, que o lançou como um dos maiores expoentes da chamada &#8220;literatura minimalista&#8221;. Mas o breakout foi doloroso para o escritor, falecido prematuramente em 1988, aos 50 anos. Contra sua vontade, o livro original fora radicalmente modificado por seu editor, o lendário Gordon Lish, que cortou frases, personagens e trechos inteiros de suas histórias, moldando assim o estilo econômico e elíptico que, ironicamente, acabou consagrando Carver. Quase 30 anos depois, a poeta Tess Gallagher, viúva do autor, salvou do limbo os manuscritos originais, antes das alterações de Lish. E, apesar dos protestos da editora Alfred A. Knopf, que detém os direitos de What we talk when we talk about love, pretende publicá-lo em 2009, sob o título de Beginers.</p>
<p>A publicação deverá revelar um Carver mais expansivo, em contraste com o escritor minimalista que ficou cravado no imaginário popular.</p>
<p>– Aqueles que só conhecem a versão já publicada vão perceber como o sentido de história de Carver foi sacrificado em nome de um fim estilístico – afirma Tess Gallagher ao Jornal do Brasil. – Os leitores também descobrirão os contos originais com uma textura mais rica, e com personagens e estrutura narrativa mais desenvolvidos. Suas tramas são mais tradicionais, à maneira de Tchekhov e Hemingway, suas maiores influências. Os originais também têm uma visão de vida muito mais humana e afirmativa.</p>
<p>Depois do sucesso de What we talk when we talk about love, Carver rompeu com Lish. Longe da influência do editor, publicou três antologias poéticas e mais dois livros de contos, Cathedral e Elephant, firmando-se como um dos mais influentes autores americanos da segunda metade do século 20. Magoado com as críticas, Lish afirmou ter &#8220;inventado&#8221; Carver, que, sustenta ele, não passava &#8220;de um motorista de caminhão&#8221;.</p>
<p>Até hoje, a relação entre o editor e o falecido contista provoca polêmica. O projeto de Tess encontra resistência entre editores e admiradores da obra. Muitos questionam a autenticidade dos manuscritos de Beginers. Tess afirma que os originais, encontrados por dois acadêmicos americanos numa biblioteca da Universidade de Indiana, foram vendidos para a instituição pelo próprio Lish em 1991, 10 anos depois do lançamento de What we talk when we talk about love.</p>
<p>Gary Fisketjon, último editor de Carver, manifestou-se publicamente contra a iniciativa. Ele conta que o escritor já tivera a chance de recuperar os contos originais em sua última coletânea, Where I’m calling from, que Fisketjon ajudou a organizar em 1988. Carver, porém, preferiu publicar sob o antigo formato apenas três contos. Os outros permaneceram exatamente como Lish havia editado.</p>
<p>Tess não concorda com o argumento. Procurado pelo Jornal do Brasil, Fisketjon preferiu não se manifestar.</p>
<p>– Mais uma vez, temos um editor, Gary Fisketjon, protegendo o que ele acredita ser o cânone Raymond Carver – lamenta Tess. – O trabalho dele como editor é impedir que sejam exumadas novas versões, para que se continuem publicando as versões já existentes.</p>
<p>Ao ver a prova final de What we talk when we talk about love, Carver, que na época ainda se debatia com o alcoolismo, entrou em desespero e tentou impedir a publicação do livro. Chegou até a mandar uma carta para a editora, reclamando que se sentia como se houvesse sofrido &#8220;uma amputação cirúrgica&#8221;. A leitura dos originais de Beginers confirma as palavras do autor: é possível ver como Lish cortou 55% do texto de Carver. O contoThe bath, por exemplo, foi reduzido em mais de dois terços do tamanho original. A economia formal rendeu ao autor o rótulo de minimalista, que ele odiava.</p>
<p>– Quando What we talk when we talk about love saiu, Ray se sentiu violado – lembra Tess. – Tive pena de vê-lo nas entrevistas, falando como se aquele fosse o livro que havia planejado, quando na verdade sabia que não o era. Ray odiava ser chamado de minimalista, sempre negou e corrigiu quem o chamava assim. Apesar disso, em cada aula de literatura e prefácio de livro, ele continua conhecido como um escritor minimalista. Sempre acreditei na importância de corrigir esse erro e mostrar aos leitores a verdade.</p>
<p>Para Tess, ambas as versões têm grande valor:</p>
<p>– Consigo admirar a austeridade da versão de Lish. Mas não encontro nela a grandeza espiritual que faz de Carver um grande escritor, e não apenas um hábil estilista. Mas, nos dois casos, aprendemos algo sobre por que admiramos um escritor: o que ele oferece da sua alma e como podemos abraçar esse presente.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bolivartorres.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bolivartorres.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bolivartorres.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bolivartorres.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bolivartorres.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bolivartorres.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bolivartorres.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bolivartorres.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bolivartorres.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bolivartorres.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bolivartorres.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bolivartorres.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bolivartorres.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bolivartorres.wordpress.com/374/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=374&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Horizonte</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Dec 2008 13:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bolivartorres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando saímos era hora avançada a festa afastou-se atrás de nós. Avançamos sob os arbustos a música aos poucos se afastando, sumindo ao longe na elevação. Havia bruma E as folhas trêmulas murmuraram o breve segredo da madrugada. Ela me seguiu Eu a vi se iluminar sob a lua entrecortada Ela me olhou Ela disse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=367&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando saímos era<br />
hora avançada<br />
a festa afastou-se atrás<br />
de nós.<br />
Avançamos<br />
sob os arbustos<br />
a música aos poucos<br />
se afastando,<br />
sumindo ao longe<br />
na elevação.</p>
<p>Havia bruma<br />
E as folhas trêmulas<br />
murmuraram<br />
o breve segredo<br />
da madrugada.</p>
<p>Ela me seguiu<br />
Eu a vi se iluminar<br />
sob a lua entrecortada<br />
Ela me olhou<br />
Ela disse<br />
Sim<br />
Você pode tocar<br />
nas minhas coisas.</p>
<p>Eu toquei.<br />
E depois de sentir<br />
o que nunca havia<br />
sentido antes<br />
- um calor -<br />
seguimos lado a lado<br />
absorvendo<br />
o ar da noite<br />
a vegetação.</p>
<p>Ela não pegou<br />
na minha mão.<br />
Ela me seguiu<br />
em silêncio<br />
até o topo<br />
da elevação.</p>
<p>A cidade surgiu.</p>
<p>Eu vejo a minha casa, ela<br />
apontou,<br />
iluminada<br />
entre outras outras<br />
outras<br />
casas.<br />
As pessoas assistem<br />
- provavelmente -<br />
televisão.<br />
Ela disse:<br />
Eu fico,<br />
não quero voltar.<br />
Quero a noite<br />
o ar<br />
todas as casas<br />
ao longe.</p>
<p>Seus olhos fixaram<br />
o fundo abismo<br />
do horizonte.<br />
E por que não?, eu<br />
disse.<br />
Por que<br />
não?<br />
Eu só queria tocar<br />
- novamente -<br />
nas suas coisas. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bolivartorres.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bolivartorres.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bolivartorres.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bolivartorres.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bolivartorres.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bolivartorres.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bolivartorres.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bolivartorres.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bolivartorres.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bolivartorres.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bolivartorres.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bolivartorres.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bolivartorres.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bolivartorres.wordpress.com/367/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=367&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Receita para um domingo</title>
		<link>http://bolivartorres.wordpress.com/2008/12/08/receita-para-um-domingo/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 01:14:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bolivartorres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha cama; a brisa do mar; e um volume do &#8220;Oeuvres complètes de Victor Hugo&#8221; encontrado no sebo por 20 reais, com boa parte dos seus ensaios &#8211; &#8220;A propos de William Shakespeare&#8221;, &#8220;Littérature e philosophie mélées&#8221;, &#8220;Proses philosophiques&#8221; &#8211; fazem minha felicidade das 14h às 20h.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=348&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://img517.imageshack.us/img517/9066/dsc01365qn9.jpg" alt="http://img517.imageshack.us/img517/9066/dsc01365qn9.jpg" /></p>
<p><em>Minha cama; a brisa do mar; e um volume do &#8220;Oeuvres complètes de Victor Hugo&#8221; encontrado no sebo por 20 reais, com boa parte dos seus ensaios &#8211; &#8220;A propos de William Shakespeare&#8221;, &#8220;Littérature e philosophie mélées&#8221;, &#8220;Proses philosophiques&#8221; &#8211; fazem minha felicidade das 14h às 20h.</em></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://img508.imageshack.us/img508/6850/dsc01412lj9.jpg" alt="http://img508.imageshack.us/img508/6850/dsc01412lj9.jpg" /></p>
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		<title>Eternamente nessa Brasilas (Diário do Festival) III</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 18:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bolivartorres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Sábado Gripado. Cansado. Mais um dia de festival. Eterno, eterno em nessa brasila, onde nosso amigo Cabeção pegou sapinho. Sapinho de tanto beijar (Sapinhôooo!). Desculpa a estranheza. Dizendo bobagens. Quebrando tudo. Mas com muito respeito. Tempo seco demais&#8230; Documentários demais&#8230; Arquitetura moderna&#8230; Isso não faz bem pra cachola.  Acordo e vejo essa coisa plana pela janela, quilômetros e quilômetros parecendo um imenso pasto, recheado de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=337&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sábado</strong></p>
<p>Gripado. Cansado. Mais um dia de festival. Eterno, eterno em nessa brasila, onde nosso amigo Cabeção pegou sapinho. Sapinho de tanto beijar (Sapinhôooo!). Desculpa a estranheza. Dizendo bobagens. Quebrando tudo. Mas com muito respeito. Tempo seco demais&#8230; Documentários demais&#8230; Arquitetura moderna&#8230; Isso não faz bem pra cachola. </p>
<p>Acordo e vejo essa coisa plana pela janela, quilômetros e quilômetros parecendo um imenso pasto, recheado de arranha-céus. Onde estão os bois? Ruminando nos gabinetes do congresso. Eterna em mente. Eternamente. Eterna mente a mesma brasila.</p>
<p>Sempre, sempre: tempo seco, filmes ruins, arquitetura moderna. Três dias aqui e já virei poeta concreto. Então foi isso que aconteceu com o Cabeção&#8230;</p>
<p>E os filmes ruins. Muito ruins? Talvez exagere. Sábado à noite lá estou eu, no Cine Brasila (desculpa, Cine Brasília), a mesma fórmula: dois curtas e um longa. Sentado na minha poltroninha. Concentrado. Tentando pegar algum gancho para a matéria de amanhã.</p>
<p>Dormindo.</p>
<p>Acordando de novo.</p>
<p>Estou na cadeira dos surdos. O quê? Não estou ouvindo&#8230; Os surdos. Tem uma fila reservada pra eles. Bem no setor da imprensa. Como sempre cheguei atrasado, todos os lugares estavam ocupados. Apenas um vago, na fila dos surdos. Ganho a aprovação de uma garota surda, muito bonita, e herdo o lugar do surdo ausente. Fico amigo da garota, e &#8220;conversamos&#8221; um pouco antes da sessão.</p>
<p>Começa o primeiro curta. Mais um de Brasila (ops, Brasília). &#8221;Ana Beatriz&#8221;. Parece comercial do Master Card. Ou de crédito bancário. &#8220;Assim fulano e cicrana se conheceram&#8230;&#8221; Conseguiram um ótimo crédito e foram felizes para sempre. É um spot televisivo de 15 minutos.</p>
<p>Rápido, o curta seguinte! E que seja curto. Bom, vinte minutos. Dura vinte minutos o &#8221;Minami em close-up&#8221;. É divertido. É sobre a Boca do Lixo. Adoro a Boca do Lixo. Desde que não precise ver os filmes da época. Mas cenas esparsas, com a história do movimento resumidinha, ah: isso é agradável. O filme tem ótimas entrevistas.</p>
<p>&#8220;Muitas prostitutas viraram atrizes. E muitas atrizes, prostituas&#8221;, diz o cineasta. E Helena Ramos: &#8220;Atriz você é ou não é&#8230; Não é Shakespeare que diz&#8230; To be ou not to be?&#8221;</p>
<p>Começa então o longa: &#8220;Eu Guarani&#8221;. Mais um doc. É sobre índios. Índios tentando sobreviver a ameaça do homem branco. Percorremos vários Estados do Brasil. Percorremos o Paraguai, a Argentina. Em busca de aldeias guarani. Depoimentos. Depoimentos. Depoimentos. Caciques, antropólogos&#8230; É uma grande reportagem. Cadê o Sérgio Chapelin?</p>
<p>No final, aplausos entusiamados. Ovações. Toca música guarani nos créditos, platéia acompanha o ritmo, com palmas. Se você não quer receber vaia, aprenda a receita: faça documentário político e traga alguma liderança. Dois caciques estavam lá, e antes do fime foram apresentados no palco pelo diretor. Agora me diga: quem, quem, quem em são consciência, vaiaria?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bolivartorres.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bolivartorres.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bolivartorres.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bolivartorres.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bolivartorres.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bolivartorres.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bolivartorres.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bolivartorres.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bolivartorres.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bolivartorres.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bolivartorres.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bolivartorres.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bolivartorres.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bolivartorres.wordpress.com/337/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=337&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eternamente nessa Brasilas&#8230; (Diário do Festival) II</title>
		<link>http://bolivartorres.wordpress.com/2008/11/23/diario-do-festival-de-brasilia-ii/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 21:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bolivartorres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Sexta Nessa cidade horrível tudo é longe. Precisa de carro para tudo. Mas o bom o Festival é que todos, jornalistas, cineastas e atores, ficam no mesmo hotel. É muito fácil conseguir entrevista. E a organização disponibiliza van, a cada quinze minutos, até o Cine Brasília. Desfeita a polêmica do ticket refeição, certamente a discusão [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=329&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sexta</strong></p>
<p>Nessa cidade horrível tudo é longe. Precisa de carro para tudo. Mas o bom o Festival é que todos, jornalistas, cineastas e atores, ficam no mesmo hotel. É muito fácil conseguir entrevista. E a organização disponibiliza van, a cada quinze minutos, até o Cine Brasília.</p>
<p>Desfeita a polêmica do ticket refeição, certamente a discusão mais importante do Festival: é 40 reais no hotel, e 30 nos restaurantes do cinema. Ufa! Numa carona na van, Murilo Salles explicou algumas manhas para fazer o ticket render mais: se você janta pouco, não gaste o ticket no restaurante do hotel. Acumule custos de serviço de quarto, e no final pague a conta com o ticket. Assim sobra mais para a cerveja. É impressionante como se aprendem coisas importantes nos festivais.</p>
<p>Na noite de sexta, o público teve seu momento de penitência. Antes de &#8220;Siri-Ará&#8221;, o filme mai chato do festival, passaram dois curtas nada empolgantes: &#8220;Brasília&#8221;, de J.Procópio, está na pior linha do exercício metalingüístico engraçadinho. E &#8220;Arquitura do corpo&#8221;, de Marcos Pimentel é, vá lá, fofinho, mas meu Deus como dá sono. É praticamente uma video-arte sobre a dança, muito bemfilmado e sonorizado. Foi aplaudido, e com justiça. Mas, sinceramente, eu preferia ver algum enlatado americano na TV do quarto.</p>
<p>Com muito atraso, chegou a vez de &#8220;Siri-Ará&#8221;. Metade da platéia dormiu. Outra metade deixou a sala. Mesmo assim, recebeu aplausos calorosos no final. Há uma coisa muito irritante na psiquê dos festivais: o compromisso com a brasilidade. Ainda não superamos o CPC. Ainda não superamos Ariano Suassuna. Qualquer coisa folclórica sobre a cultura nordestina merece a reverência incondicional do público. Mesmo daqueles que dormiram.</p>
<p>Rosemberg Cariry, o diretor, é realmente uma pessoa muito culta. Digo isso sem nenhum sarcasmo. Ouvi-o no debate, depois conversamos na van. Fala muita coisa interessante, e tem uma visão ampla da arte: pra ser sincero, é injusto compará-lo com Suassuna, como (covardemente) fiz algumas linhas acima. Sua visão da cultura popular não é xenófoba, reducionista ou demagógica. Mas não creio que suas grandes idéias rendam bons filmes. </p>
<p>O longa é uma &#8220;ópera épica&#8221;. Só tem alegoria. Os personagens são arquétipos e recitam como no teatro de versos. Há milhares de referências &#8211; desde o filósofo romeno Cioran até Cervantes, Camões, Glauber e Aristóteles. Fica pesado demais, carregado excessivamente de símbolos e artifícios poéticos. Todos eles óbvios demais, na minha opinião (no melhor estilo: <em>elefante de signos, formiga de significados</em>).</p>
<p>Depois da sessão, voltando para o hotel na van, o motorista botou um DVD de um terror americano dublado com Jessica Alba. Inebriados pelo espetáculo cultural de &#8220;Siri-Ará&#8221;, os passageiros se revoltaram com a escolha cinematográfica do motorista. &#8220;Tira isso pelo amor de Deus&#8221;, ouvi alguém falar. Outra passageira ainda disse, com muito ranço: &#8221;Depois de tanta cultura, temos que ver algo desse nível&#8230;&#8221;</p>
<p>Lá fora, a cidade deserta. No escuro vazio, os muros pareciam pichados por fantasmas. Cruzando no conforto da van as ruas assustadoras de Brasília, aproveitei para dar mais uma cochilada.  A segunda da noite, é claro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bolivartorres.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bolivartorres.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bolivartorres.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bolivartorres.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bolivartorres.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bolivartorres.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bolivartorres.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bolivartorres.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bolivartorres.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bolivartorres.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bolivartorres.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bolivartorres.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bolivartorres.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bolivartorres.wordpress.com/329/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=329&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Eternamente nessa Brasilas&#8230; (Diário do Festival)</title>
		<link>http://bolivartorres.wordpress.com/2008/11/22/diario-do-festival-de-brasilia/</link>
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		<pubDate>Sat, 22 Nov 2008 19:37:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bolivartorres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Quinta-feira Cheguei na capital federal às 17h30. Vale aqui um registro: vôo do Rio atrasou 40 minutos, cheguei para fazer a conexão em São Paulo em cima da hora. Sai do avião já ouvindo meu nome anunciado no alto-falante: &#8220;Atenção passageiro Bolivar (eles sempre falam bolivar, sem acento no &#8220;i&#8220;), última chamada para o vôo para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=320&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quinta-feira</strong></p>
<p>Cheguei na capital federal às 17h30. Vale aqui um registro: vôo do Rio atrasou 40 minutos, cheguei para fazer a conexão em São Paulo em cima da hora. Sai do avião já ouvindo meu nome anunciado no alto-falante: &#8220;Atenção passageiro Bolivar (<em>eles sempre falam bolivar, sem acento no &#8220;i</em>&#8220;), última chamada para o vôo para Brasília&#8221;. Fiz rapidamente o check-in, mas me informaram o portão errado. O tempo de descobrir o engano e chegar até o embarque, já haviam fechado o portão. Reclamei com uma das funcionários da Gol, que me respondeu de forma rude e grosseira que, apesar do atraso do vôo, outros passageiros da minha conexão conseguiram embarcar. Mas, peraí: foram cinco minutos entre meu desembarque em São Paulo e o fechamento do portão. Esse não é um prazo razoável. Se eu erro um portão (ou sou mal informado, como aconteceu) perco a conexão&#8230; E se eu fosse uma velhinha com dificuldade de locomoção, ou um deficiente  físico? Nunca chegaria a tempo. Sabendo que o vôo vindo do Rio estava atrasado (por culpa deles, ainda por cima) o mínimo que podiam fazer era segurar mais um pouco antes de fechar o embarque.</p>
<p>Mas, enfim, esse é o tato e sensibilidade da Gol, que não faz a menor questão de respeitar seus clientes. Fica aqui o registro.</p>
<p>Chegando em Brasília, jovens funcionárias do festival me esperam. A van me leva até o hotel Nacional. Vamos passeando por essa cidade maluca. Longas retas, ruas arborizadas &#8211; mas sempre aquela impressão de floresta artificial, sei lá, um cenário de cidade cenográfica. Sabe aquele joguinho Simcity. Pois é, parece uma daquelas cidades&#8230;</p>
<p>Ao longe, vejo as torres do Congresso, e a fila de prédios esquisitos. Nunca entendi nada de arquitetura, mas sei do que gosto e do que não gosto.  E isso, realmente, eu não gosto. Simplesmente não funciona. </p>
<p>Chegando no hotel descubro que vou precisar dividir o quarto. Péssima notícia. Mas pelo jeito meu &#8220;roomate&#8221; não sabia.  Não se deram o trabalho de avisá-lo. Então vocês imaginem a cena estranha: eu abrindo a porta, e o sujeito na cama, sem camisa, me olhando sem entender. Obrigado hotel Nacional!</p>
<p>Desfeito o mal-entendido, tomo um banho e desço para me credenciar. E olhem que genial: está tudo fechado. Pelo jeito, a organização do Festival segue os princípios dos admiráveis políticos e funcionários públicos daqui. 18 horas e todo mundo vai pra casa. Resultado: preciso me virar sem ticket refeição e muito menos acesso aos filmes. A não ser que eu pague ingresso. Mas ah, me lembrei: acabaram os ingressos. Hmmmm&#8230;.</p>
<p>Converso com alguns críticos. Cheguei com dois dias de atraso, então tento me ambientar sobre o Festival. Algum filme marcante? Alguma polêmica? Nenhum filme marcante. Na verdade, uma polêmica, sim: quanto vale o ticket refeição? É trinta ou quarenta reais? Por enquanto, é só sobre isso que os críticos falam. E onde se beberá cerveja à noite, é claro.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>*****</strong></p>
<p style="text-align:left;">À noite, porém, surge a primeira polêmica: <em>FilmeFobia</em>, de Kiko Goifman. Um &#8220;objeto fílmico não-identificado&#8221;, como definiu o crítico do Estadão, que perturba nem tanto pelas questões éticas que provoca, mas mais pelo estranhamento, a indefinição de gênero. O filme simula a realização de um documentário sobre fobias, dirigido pelo lendário crítico de cinema Jean-Claude Bernardet, que submete os atores do filme dentro do filme a ficar frente a frente com seus maiores temores. Só que muitos desses atores são fóbicos na vida real, confundindo a platéia sobre o que é interpretação e o que não é.</p>
<p style="text-align:left;">Então? É ficção? Documentário? O diretor Kiko Goifman subiu ao palco com essa: &#8220;Se fosse um documentário, eu e o Jean-Claude iríamos presos&#8221;.</p>
<p>Teoricamente, o filme parte de uma premissa de Bernardet, de que &#8220;atualmente a única imagem verdadeira é a de um fóbico diante de sua fobia.&#8221;  Mas tanto Bernardet quanto Goifman sabem que essa premissa é absolutamente falsa. Só está lá para confundir ainda mais o público. Não se pode esquecer que muitos fóbicos falsos têm atuações mais reais do que os fóbicos verdadeiros.</p>
<p style="text-align:left;">O filme é interessante, mas ambicioso demais. Como disse o próprio Bernardet, &#8220;dispara possibilidades de discussão, que nunca fecham e que às vezes nem seus realizadores conseguem entendê-las&#8221;. Acho justamente que as várias idéias que vão surgindo ao longo do filme, como uma espiral, muitas vezes não geram grande interesse. Acho também que muitas das cenas de fobia não rendem do ponto de vista dramática.</p>
<p style="text-align:left;">Sim, porque o filme não é apenas uma exploração da fobia em si. No cerne, havia a preocupação de como o contato com a fobia geraria situações interessantes do ponto de vista dramático e plástico. Todas as situações de confronto são reforçadas de artifícios cênicos, como luzes e música ambiente. Alguns atores aparecem nus (para aumentar o constrangimento), amarrados ou até mesmo suspensos no ar. A luz é expressionista; algumas máquinas, surealistas &#8211; e a interpretação é totalmente naturalista!</p>
<p style="text-align:left;">Essa mistura é de fato interessante e rende plano muito bonitos, como o do fóbico a papagaio suspenso no ar, contra um céu negro, e do fóbico a palhaço diante do palhaço, com um vidro entre os dois criando uma estranha fusão.</p>
<p style="text-align:left;">Não é um mau filme, claro. Mas se essa for mesmo a melhor obra do Festival (como estão dizendo por ai), a coisa não tá muito boa, não.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>****</strong></p>
<p style="text-align:left;">Antes do <em>Filmefobia</em>, dois curtas foram exibidos. O primeiro dels, <em>Nº27,</em>  causou boa impressão. Muito bem filmado, mas o trabalho com o som não esteve a altura. Também poderia ter terminado alguns minutos antes, com o belo slow motion da menina olhando ao longe.</p>
<p style="text-align:left;"><em>Cidade Vazia</em>, o segundo curta, ganhou mais vaias do que aplausos. Na verdade, acho que só a equipe  &#8211; e seus familiares &#8211; aplaudiram. Mas o filme não é ruim, não. O grande defeito, na minha opinião, é que o diretor tentou abraçar num curta o material de um sonhado longa. Ficou esquisito, e a montagem confusa tentou salvar, mas não conseguiu. Agora, tenho uma explicação para a vaia&#8230;</p>
<p style="text-align:left;">Quem conhece o mundinho do cinema &#8211; estou falando do mundinho da universidade de cinema &#8211; conhece os grupinhos e o preconceito. Enfim, na apresentação subiu toda a equipe no palco. Estavam visivelmente emocionados, já que o filme saiu caro, e teve poucos recursos públicos. Mas aí a produtora &#8211; casualmente irmã do diretor, Cássio Pereira dos Santos - roubou o microfone quando todo mundo já estava deixando o palco. Muito a vontade, fez uma frase profundamente infeliz. Quer dizer, foi engraçado, mas daquele jeito: vergonha alheia. Ela chegou e disse pro irmão: &#8220;Só quero dizer uma coisa: Cássio, cansei de ser sua produtora, quero ser sua atriz&#8221;, e deixou o palco rebolando e sorrindo para câmeras imaginárias, como se estivesse no tapete vermelho de Cannes (menos, menos: vamos dizer Gramado).</p>
<p style="text-align:left;">A sala foi tomada por um silêncio constrangido. À minha frente, ouvi uma mulher suspirar: &#8220;ai, ai&#8221;. Estava selado o fracasso do filme. O que antes seria &#8220;Gostei, achei sincero, eles fazem parte da minha turma&#8221;, virou: &#8220;ÚUUUUH&#8221;, e &#8221;Muito ruim!&#8221;. Geralmente, é assim que funciona o público-cabeça composto por estudante de cinema: nunca é pela qualidade em si. É pela identificação.</p>
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		<title>Muito além do cachorro morto</title>
		<link>http://bolivartorres.wordpress.com/2008/11/16/muito-alem-do-cachorro-morto/</link>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 19:27:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bolivartorres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Uma coisa de nada&#8221;, romance de Mark Haddon, é com certeza um dos cinco melhores livros lançados esse ano no Brasil. Não li o seu romance anterior, &#8220;O estranho caso do cachorro morto&#8221;, do qual se falou bem no mundo todo. Esse saiu em 2006 na Inglaterra e teve uma recepção bem menos favorável, o que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=314&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Uma coisa de nada&#8221;, romance de Mark Haddon, é com certeza um dos cinco melhores livros lançados esse ano no Brasil. Não li o seu romance anterior, &#8220;O estranho caso do cachorro morto&#8221;, do qual se falou bem no mundo todo. Esse saiu em 2006 na Inglaterra e teve uma recepção bem menos favorável, o que é uma pena. Haddon bebe numa tradição realista que remonta a &#8220;Anna Karenina&#8221;: segue vários personagens, entrando na mente de cada um deles. Cada capítulo é narrado do ponto de vista de cada personagem, com focalizador único. Apesar disso, é impressionante como consegue manter uma unidade romanesca.  </em></p>
<p><em>Entrevistei Haddon para o B. Abaixo, publico a matéria que saiu na sexta-feira (e aproveito para publicar nos comentários a entrevista completa):</em></p>
<p>Depois de se consagrar com um best-seller inusitado, <em>O estranho caso do cachorro morto</em>, que contava a história de um garoto autista decidido a investigar o assassinato do cachorro da vizinha, do qual é o principal suspeito, o britânico Mark Haddon fez uma promessa: não ia se acomodar.</p>
<p>Em vez de explorar exaustivamente a mesma fórmula e garantir altas vendas, o autor preferiu usar suas 150 mil cópias vendidas pelo mundo para buscar novos caminhos. <em>Uma coisa de nada</em>, seu último e aguardado romance, toma uma direção oposta ao sucesso anterior. Sai de cena o mundo delirante e fantástico de uma criança com deficiência para dar lugar às idiossincrasias familiares do aparentemente confortável e pacífico subúrbio inglês.</p>
<p>– Há muitas vantagens em se tornar um best-seller – admite ao <strong>Jornal do Brasil</strong> o autor, que, antes de freqüentar a lista dos mais vendidos só havia publicado livros infanto-juvenis.  – Agora, posso escrever o que eu quiser, gastando meu tempo tentando fazer a escrita funcionar. O sucesso de O estranho caso do cachorro morto me deu confiança para editar selvagemente meus próprios livros. Mas acho que para mim seria impossível escrever uma obra igual a essa. Eu me entediaria até a morte. Gosto de explorar outros registros, como poesia, peças para rádio, roteiros&#8230; Preciso toda hora fazer algo difícil e diferente. Se não há risco ou desafio, qual o sentido? Seria melhor eu ser um contador, ou um padeiro.</p>
<p><em>Uma coisa de nada</em> segue os passos de quatro membros de uma família inglesa de classe média. George, o patriarca, usa seu tempo de aposentado para terminar uma obra no jardim de casa, enquanto sua mulher, Jean, já não sente mais paixão pelo marido.</p>
<p>Ambos estão preocupados com a perspectiva do segundo casamento da filha, Katie, que pretende se unir a um sujeito bonachão e simpático, mas vindo de um meio social inferior. Enquanto isso, o filho Jamie tem dificuldades de levar adiante seus relacionamentos amorosos.</p>
<p>A calma dos jardins suburbanos é aos poucos tomada por estranhezas e conflitos familiares. George se revela hipocondríaco e entra gradualmente na demência; Jean vive um caso extra-conjugal com um antigo colega de trabalho do marido; Katie se desdobra entre a vida profissional e familiar; e Jamie tem dificuldade de lidar com sua homossexualidade&#8230; No fim das contas, o leitor não se sentirá tão distante assim da temática pitoresca de <em>O estranho caso do cachorro morto</em>.</p>
<p>– Acredito que há estranheza na vida de todos – avalia Haddon. – A diferença é que certas pessoas compartilham essa estranheza, enquanto outras fazem o possível para escondê-la. É verdade que a história de <em>Uma coisa de nada</em> é mais convencional e que a história de <em>O estranho&#8230;</em> é mais idiossincrática. Mas você não pode se concentrar em escrever um livro idiossincrático. Você tem que se concentrar em escrever um bom livro e ver o que acontece.</p>
<p>Cada capítulo enfoca os movimentos e reflexões de um dos quatro protagonistas. Com um estilo simples e econômico, Haddon entra na mente de seus personagens, captando desde as emoções mais secretas às observações mais banais. E, principalmente, as dúvidas e incertezas que surgem pelo caminho.</p>
<p>– Adoro entrar na mente das pessoas, embora não seja fácil conseguir isso – confessa Haddon, que, antes de abraçar a carreira literária, trabalhou com garotos deficientes. – Essa é a maior alegria que sinto num romance, seja como leitor ou como escritor. Ironicamente, foi muito mais desafiador fazer isso nesse livro do que em <em>O estranho caso&#8230;</em>, com o qual fui aclamado por entrar na mente de um garoto com “desvios de comportamento”. Pessoalmente, acho muito mais difícil entender o que se passa na cabeça de uma mulher de 60 anos ou de um jovem gay.</p>
<p>Longe dos padrões mastigados do best-seller, Haddon vai multiplicando os personagens coadjuvantes, introduzindo-os em meio a narrativa sem sequer apresentá-los ao leitor. Como no dia-a-dia, os eventos e as pessoas se sucedem sem muita explicação, permitindo ao escritor captar emoção em alguns instantes aparentemente banais, como o choro de uma criança no meio da noite ou o inesperado som de um trem em movimento.</p>
<p>– Mas não é assim na vida real? Conhecemos tantas pessoas tão diferentes todo o dia. Alguns acabam virando íntimos, outros conhecemos por cinco minutos e depois nunca mais encontramos. A vida é assim. Quis dar uma amostra disso no livro. Além do mais, sempre pensei que a regra mais prática de escrita é: não explique. Deixe ao leitor espaço para que possa fazer sua própria escrita.</p>
<p><strong>Estereótipos nacionais</strong></p>
<p>Para o escritor, o universo tipicamente inglês do seu livro, com seu humor irônico, suas histerias contidas, pode ser compreendido no mundo inteiro.</p>
<p>– Todos os livros são quintessencialmente locais. Quando você tenta escrever para um público internacional, sempre cai em algo geral e sem interesse. Agora, não tenho a menor idéia se os leitores brasileiros vão gostar de meu livro. Acho que nos deixamos levar demais por estereótipos nacionais. Se você já foi membro de uma família, creio que há coisas no livro com as quais irá se identificar, tenha você crescido no Alasca ou em Fiji.</p>
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		<title>&#8220;Para quem faço meus filmes?&#8221;</title>
		<link>http://bolivartorres.wordpress.com/2008/11/14/pra-quem-faco-filmes/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 14:15:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bolivartorres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Bolívar Torres (cena de Le prix du pardon) No Rio para participar do 2º Encontro de Cinema Negro Brasil, África e América Latina, que começa nesta sexta-feira, o cineasta senegalês Mansour Zora Wade reza. Torce os dedos. Nesta sexta-feira, no exato momento em que esta reportagem é publicada, uma comissão de países francófonos pode [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=307&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Bolívar Torres</em></p>
<p><img src="http://img5.allocine.fr/acmedia/medias/nmedia/00/02/41/35/69220736_ph2.jpg" alt="http://img5.allocine.fr/acmedia/medias/nmedia/00/02/41/35/69220736_ph2.jpg" /></p>
<p style="text-align:right;"><em>(cena de Le prix du pardon)</em></p>
<p>No Rio para participar do 2º Encontro de Cinema Negro Brasil, África e América Latina, que começa nesta sexta-feira, o cineasta senegalês Mansour Zora Wade reza. Torce os dedos. Nesta sexta-feira, no exato momento em que esta reportagem é publicada, uma comissão de países francófonos pode decidir o futuro do último longa do diretor, Les feux de Mansare.</p>
<p>Se a instituição aprovar um financiamento extra, Mansour conseguirá finalizar o processo de pós-produção de seu filme, que já dura um ano. O drama é um resumo da situação vivida pelos diretores de Senegal, país que teve uma indústria pioneira em seu continente, mas que hoje sequer possui salas de cinema.</p>
<p>– É muito difícil fazer cinema no Senegal – lamenta Mansour, contemplando as ruas cariocas da sacada de um hotel no centro da cidade.</p>
<p>– Até a metade da década de 80, conseguíamos fazer dois filmes por ano, graças a incentivos públicos. Depois, em função de políticas do Fundo Monetário Internacional, nossas salas de cinema foram privatizadas e acabaram fechando. Foram transformadas em shopping centers e templos religiosos. Ao contrário de outros países africanos onde a indústria do cinema floresce, como Burkina Fasso, o Senegal não investe mais um só tostão em filmes.</p>
<p>Mansour explica que as poucas obras produzidas atualmente em seu país – uma a cada dois anos, na melhor das hipóteses – são financiadas por países europeus, principalmente a França, para exibição em festivais mundo afora. Lançando um olhar melancólico para os arcos da Lapa, 25 andares abaixo, o cineasta resume seu dilema:</p>
<p>– Hoje, a pergunta que se impõe a todo cineasta senegalês é: “Para quem faço meus filmes?”. Não conseguimos exibir nossas obras em nosso próprio país.</p>
<p>No Encontro de Cinema Negro, Mansour mostra Le prix du pardon, longa de 2001 sobre dois amigos de infância que tentam seduzir a mesma mulher, enquanto o vilarejo de pescadores é engolido por uma inexplicável bruma. O diretor também exibe o curta-metragem Picc mi, de 1992, fábula política em que se confrontam dois mundos: o dos adultos gananciosos, violentos, destruidores do ambiente, e o das crianças, que tentam escapar de sua pesada realidade.</p>
<p>– Meus filmes costumam se basear em lendas africanas e abordar questões relativas à memória humana – diz o diretor, que começou a fazer “cinema” ainda criança, projetando sombras chinesas em telas.</p>
<p>– No vilarejo onde nasci, os filmes passavam a céu aberto, numa tela cercada por muros. Eu fazia um buraco no concreto para poder assistir. Lembro que o primeiro filme que vi foi um faroeste em preto-e-branco. Mas fui realmente influenciado pelos filmes japoneses.</p>
<p>Curador da mostra, o diretor Zózimo Bulbul, ícone negro dos anos 60 e 70 por suas interpretações na TV e no cinema, é amigo de Mansour. Os dois se conheceram em Paris, quando estudavam cinema.</p>
<p>– Ele é um grande cineasta. E o encontro é a chance para que os grandes nomes do cinema africano possam mostrar seus trabalhos – exalta Bulbul, afirmando que, apesar de ter pensado num festival só com nomes brasileiros, abriu depois para africanos e latino-americanos.</p>
<p>– Os cineastas negros precisam se encontrar, conversar. Para isso, temos as exibições e os debates.</p>
<p>Além de Brasil e Senegal, o encontro (“Não é um festival, somos todos irmãos, não há competição”, esclarece Bulbul) terá filmes da Mauritânia (Sarraounia, de Méd Hondo, exibido nesta segunda-feira) e de Mali (Finzan, de Cheick Sissouko, na terça-feira) e debates com cineastas latino-americanos, como Antônio Molina (Cuba) e Derby Arboleda (Colômbia), sob o tema “Intercâmbio do cinema negro Brasil, África e América Latina”, neste sábado.</p>
<p>Há exibições no Odeon BR, no Centro Afro-Carioca, no Espaço Tom Jobim, no Centro Cultural Justiça Federal e numa tela ao ar livre na Lapa.</p>
<p>– Optei por vários lugares para formarmos platéias. As pessoas precisam conhecer o cinema africano – observa Bulbul. – Ele tem compromisso com a história da África e com a recuperação da tradição oral.</p>
<p><strong><em>Publicado hoje no Caderno B</em></strong></p>
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		<title>Esperando mórmons</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 14:13:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Resolvi ligar. Uma telefonista me disse que membros do templo mórmon me entregarão o DVD na minha casa, dentro de uma semana. Perguntei se os membros irão cantar para mim. &#8220;Provavelmente, sim&#8221;, ela respondeu. Me desejem boa sorte.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bolivartorres.wordpress.com&amp;blog=4968686&amp;post=304&amp;subd=bolivartorres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Resolvi ligar.</p>
<p>Uma telefonista me disse que membros do templo mórmon me entregarão o DVD na minha casa, dentro de uma semana. Perguntei se os membros irão cantar para mim. &#8220;Provavelmente, sim&#8221;, ela respondeu.</p>
<p>Me desejem boa sorte.</p>
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